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Promotor recorre de decisão e pede aumento da fiança de pai de adolescente que matou amiga em MT para 100 salários mínimos

O valor da fiança já foi alterado várias vezes. A última vez foi na semana passada, em que a Justiça subiu de R$ 10 mil de R$ 52,2 mil. No entanto, a primeira fiança arbitrada foi de R$ 1 mil e garantiu a soltura do pai da adolescente que atirou.

10 Ago 2020 - 10:13

MT 40 GRAUS

Promotor recorre de decisão e pede aumento da fiança de pai de adolescente que matou amiga em MT para 100 salários mínimos

Isabele Guimarães Rosa, de 14 anos, morreu ao ser atingida por tiro na cabeça na casa da amiga — Foto: Instagram/Reprodução


O promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes recorreu da decisão da Justiça que arbitrou fiança de R$ 52.240, o equivalente a 50 salários mínimos, ao empresário que é pai da adolescente de 14 anos que matou a amiga dela, Isabele Ramos Guimarães, também de 14 anos, com suposto tiro acidental, em um condomínio de luxo de Cuiabá, no dia 12 de julho.

O promotor pede que o valor da fiança seja dobrado, para 100 salários mínimos. A fiança de R$ 52,2 mil foi definida na última segunda-feira (3).

No recurso, o promotor afirma que o empresário possui alto padrão financeiro e que o próprio valor dos “materiais bélicos” dele quase se iguala ao valor da fiança. O empresário é praticante de tiro esportivo e possui várias armas.

O Ministério Público contesta os argumentos apresentados pelo empresário de que estaria enfrentando dificuldades financeiras.

“É importante dizer que não se está a propugnar pelo arbitramento da fiança por conta do indiciamento em tais delitos, mas apenas que sirvam, por via reflexa, de baliza para a majoração da fiança para o seu grau máximo no delito do artigo 12 do Estatuto do Desarmamento, já que foi este tão somente por absoluta leniência da autoridade policial, que “justificou” a prisão em flagrante do mesmo”, destacou.

O empresário foi preso em flagrante com duas armas de fogo de uso permitido, sem a devida documentação. Na data dos fatos, em decorrência da suposta conduta que matou a adolescente, a polícia localizou na residência do recorrido sete armas de fogo, das quais duas não possuíam o registro em seu nome, e as demais, no momento da prisão não possuíam qualquer documentação.

Logo depois, ele foi solto em liberdade provisória após o pagamento de R$ 1 mil. Em 14 de julho, o MPMT manifestou-se no processo e pediu o aumento do valor da fiança para 100 salários mínimos.

Em 15 de julho, o juiz aplicou uma fiança em R$ 209 mil. Logo em seguida, a defesa recorreu ao Tribunal de Justiça e conseguiu suspender a decisão. E, posteriormente, o valor foi elevado para 50 salários mínimos.

Entenda o caso
O caso foi por volta de 22h30 do dia 12 de julho em um condomínio de luxo localizado no Bairro Jardim Itália.

O advogado da família da adolescente que efetuou o disparo, Rodrigo Pouso, explicou que o pai da suspeita do tiro acidental estava na parte inferior e pediu para que a filha guardasse a arma no andar superior, onde estava Isabele.

A adolescente pegou o case – uma maleta onde estavam duas armas – e subiu obedecendo ao pai. Apesar de estar guardada, a arma estava carregada.

Segundo o advogado, uma das armas caiu no chão e a adolescente tentou pegar, mas se desequilibrou e o objeto acabou disparando.

A menina negou que brincava com a arma ou que tentou mostrar o objeto para a amiga.

Praticante de tiro
As duas famílias, a da adolescente que disparou, e a do namorado dela praticam tiro esportivo.

A Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT) disse que a adolescente que matou a amiga é praticante de tiro esportivo há pelo menos três anos.

Segundo a federação, o pai e a menina participavam das aulas e de campeonatos há três anos. Os nomes deles constam nos grupos, chamados 'squads', que participavam das competições da FTMT.

Outros membros da família também participavam desses grupos e praticam o esporte.

O advogado da família contestou a informação e afirmou que a adolescente praticava o esporte há apenas três meses.

A promotoria que dá apoio na investigação do caso pediu à Polícia Civil de Mato Grosso que investigue a conduta do presidente da Federação de Tiro de Mato Grosso, Fernando Raphael Oliveira.

Fonte: G1-MT

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