25 de junho de 2022
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Evento evangélico com Bolsonaro atrai fiéis de outras denominações

Reunir a família, vestir boas roupas e seguir rumo à igreja é um ritual realizado com certa frequência em lares protestantes no Brasil, sobretudo nas manhãs dominicais. Fora dessa rotina, nesta terça-feira (19), em Cuiabá, a lógica do rito semanal ainda segue, mas com famílias de variadas denominações religiosas e com um propósito diferente para muitos dos fiéis que aguardam a chegada do presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

A Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil, realizada no Grande Templo, na avenida do CPA, é oficialmente o evento principal. Nos bastidores, contudo, a expectativa em torno da vinda de Bolsonaro à capital mato-grossense é um dos mais relevantes, senão o maior, motivo da reunião de centenas de pessoas no local.

 

 

 

A exemplo de qualquer grande evento, a área ao redor conta com uma logística operacional. Neste caso, o forte policiamento – horas antes da chegada do presidente – já deixa claro mesmo para os desavisados que passam pela avenida Historiador Rubens de Mendonça que algo importante acontecerá naquele local.

 

Viaturas, policiais militares e a Defesa Civil realizam os preparativos para a garantia da segurança do público durante o ato principal do evento. Internamente, a segurança da igreja também conta com reforço de agentes, tanto para guiar aquelas pessoas que têm lugar garantido na Convenção quanto para fiéis de lugares distantes e com poucas informações.

 

Na porta, sorrisos, abraços e a ausência de máscaras marcam a paisagem de quem olha para a entrada principal do templo. A organização do espaço cria e refaz filas organizando o público – que promete chegar à casa dos milhares conforme se aproxima o horário oficial de início do evento.

 

Sobra espaço na portaria até mesmo para a apresentação de folhetos com cursos teológicos. Contudo, falta lugar para a imprensa. Ao atender a reportagem, a organização do alto escalão é clara: frases curtas e poucas informações. “Tem um ‘espacinho’ (para a imprensa), lá fora, mas é só no final de tudo”, dispara uma das pessoas da organização que preferiu não se identificar.

 

Do lado de fora, no entorno do templo, a “timidez” com a imprensa não muda muito. Pais, mães, tios, avós, filhos e netos se reúnem com bandeiras do Brasil e camisetas pró-Bolsonaro fugindo do sol cuiabano sob a proteção do viaduto enquanto aguardam o presidente. Para a imprensa, palavras contadas, mas com um tom nacionalista e firme em prol da família.

 

“Hoje, graças a Deus eu não tinha trabalho, deu certinho de vir ver. Estamos todos aqui. Eu, minha irmã, meu filho, minha mãe e tem mais gente. Eu sou católica, não entro lá (no templo), mas vim pra ver o presidente”, disse uma das presentes, que também se recusou a se identificar.

 

Questionada sobre a possibilidade de não conseguir ficar próxima ao presidente, a mãe de família foi direta ao dizer que cumpre um papel estando ali, independente da atenção de Bolsonaro. “Viemos mostrar que estamos aqui. A gente acredita nele e por isso viemos. Não importa o resto”, disparou.

 

Mais afastados da igreja, os comerciantes também se mobilizam em torno do evento. Com a expectativa de lucrar alto com a vinda do presidente, muitos se organizaram na venda de camisetas e bandeiras verde e amarela. No reforço do marketing e pela aproximação política com Bolsonaro, parte dos vendedores até trajam roupas que lembrem os preceitos do mandatário: pátria; família e Deus.

 

Apesar dos olhares desconfiados, os comerciantes são mais abertos com a imprensa. Jerri Gonzales contou que não trabalha na Praça Ulisses Guimarães, mas mudou a rota normal para estar mais próximo do presidente. “Estou com ele e não abro. Alguns vêm,  mas infelizmente alguns são da esquerda. Creio que eles não vêm, mas se vierem creio que bagunça. A direita é mais organizada que a esquerda também”, disse.

 

Mais distantes da concentração principal, há ainda aqueles que seguem na evangelização sem mirar qualquer tipo de vinculação ao presidente. Em uma das esquinas próximas, um grupo de fiéis louva, estende placas com dizeres cristãos e rapidamente oferecem uma oportunidade a quem passa de ter acesso à palavra.

Fonte: Gazeta Digital

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